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Mulheres na engenharia: trajetórias e desafios

Publicado: Terça, 23 de Junho de 2020, 15h09 | Última atualização em Terça, 23 de Junho de 2020, 15h46 | Acessos: 87

Elas são maioria da população brasileira (51,7%)*. São maioria na educação superior do país (61% dos graduandos)**. Entretanto, as mulheres são minoria na área da engenharia, representando 37,4% dos alunos concluintes***. Esses dados apresentam uma disparidade que pode ser observada em salas de aula e no mercado de trabalho. Uma realidade que vem sendo mudada aos poucos a partir da competência, da determinação e do sucesso de estudantes e profissionais da área.

Embora os cursos e as vagas do setor de engenharia – e de exatas, de modo geral – tenham a tradição de serem dominados pelos homens, a participação feminina tem aumentado nos últimos anos. Com o objetivo de fortalecer o espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão, a Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, criou uma data comemorativa: o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado anualmente no dia 23 de junho.

“Infelizmente, ainda existe preconceito com as mulheres nesta área e muitas pessoas ainda não veem que homens e mulheres são igualmente capazes”, declarou a estudante Gabriele Brito, do 10º período de Engenharia de Computação do campus Petrópolis. Gabriele é uma das 38 alunas matriculadas no curso e tem se destacado pela dedicação e pela participação em diversos projetos de iniciação científica e de extensão na área de Redes de Computadores. A estudante já assinou artigos e apresentou trabalhos, inclusive na conferência internacional The Cyber Security in Networking Conference (CsNet), em 2017, ao lado de Camilla Alves, do 9º período do curso. Gabriele e Camilla representaram seu grupo de estudo, formado ainda Jéssica Alcântara e Vinicius Faria, sob orientação do professor Dalbert Mascarenhas.

Camilla também tem uma trajetória de sucesso no curso, tendo participado de pesquisas e projetos, atuado em minicursos e publicado artigos na área de redes.  Ela destaca a importância de ter uma data para celebrar as mulheres na engenharia: “Representa que apesar de todas as barreiras colocadas, estamos conseguindo superar mais esses obstáculos e tendo visibilidade e espaço como qualquer outra pessoa. Significa que mais mulheres podem se identificar com a engenharia sem medo de serem julgadas ou por acharem que não é uma profissão para elas”.

 

Camilla Alves e Gabriele Brito durante a conferência internacional CSNET, 2017.

 

Os desafios, segundo alunas e professoras da área

Acredito que um dos maiores desafios é que precisarmos provar a todo momento a nossa capacidade de estar na área em que atuamos. Passei por situações durante a faculdade e o estágio em que eu só tive o respeito dos meus colegas quando demostrei total conhecimento sobre uma situação, seja através de boas notas ou solucionando problemas que os homens da minha equipe não conseguiram solucionar” – Camilla Alves, 9º período de Engenharia de Computação do campus Petrópolis.

Por diversas vezes fui a única mulher em etapas de processos seletivos de estágio e também em turmas de algumas disciplinas.  Uma das coisas que me estimula bastante é ver outras mulheres atuando na área. Ver minhas colegas se desenvolvendo tanto ao longo do curso quanto no mercado de trabalho me deixa orgulhosa. Assim como o exemplo de professoras do curso” – Gabriele Britto, 10º período de Engenharia de Computação do campus Petrópolis.

Observo que as conquistas femininas nas áreas de engenharia vêm crescendo, mas é claro que obter sucesso em um meio que é predominantemente masculino é um desafio. Pode ser que se encontre uma desvalorização profissional, intelectual, dentre outras dificuldades devido ao gênero. Às vezes, se faz necessário um maior esforço para se obter respeito e crescer no mundo da engenharia” – Laura Assis, docente do campus Petrópolis, com formação em Ciência da Computação (Faculdades Integradas de Caratinga) e mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica (Unicamp).

Acho que os maiores desafios são alcançar posições hierárquicas superiores, de tomadores de decisão dentro das empresas e, por outro lado, conviver num ambiente muito masculino sem outras mulheres para compartilhar as vivências do dia a dia” – Ana Elisa Ferreira, docente do campus Petrópolis, com formação em Engenharia de Telecomunicações e mestrado em Computação (UFF).

 

 

*IBGE, PNAD Contínua 2018.

** Censo de Educação Superior, 2017.

*** Grande área: Engenharia, Produção e Construção. Censo de Educação Superior, 2018.

 

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