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“Abolição para quem?”: NEABI promove encontro com slammers na Unidade Maracanã

Publicado: Terça, 26 de Maio de 2026, 13h24 | Última atualização em Terça, 26 de Maio de 2026, 13h24 | Acessos: 74


Integrantes do NEABI da Unidade Maracanã com estudantes do Cefet/RJ, slammers e alunos convidados (Foto: Lívia Cardoso)

Na última quinta-feira (21), o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da Unidade Maracanã promoveu o evento “Abolição para quem?”, em referência ao dia 13 de maio, data que marca oficialmente a abolição da escravidão no Brasil. O encontro reuniu estudantes, professores e artistas da cena do slam em uma atividade voltada à reflexão sobre racismo, desigualdade social e resistência através da poesia falada.

O Auditório 1 da Unidade Maracanã recebeu os slammers Monrá, Marcos Marinho (PK), René Abreu, Danielle Silva e JI, que apresentaram performances marcadas pela força da palavra, do corpo e das vivências periféricas. O evento contou com a presença de cerca de 40 estudantes do 8º e do 9º anos do ensino fundamental do Ginásio Experimental Tecnológico (GET) Olimpíadas Rio 2016, localizado na Maré, além de estudantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do curso de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório de Estudos Negros da Faculdade de Letras da mesma universidade.

Durante a batalha de slam, os artistas compartilharam experiências pessoais e coletivas ainda atravessadas pelo racismo, pela exclusão e pelas desigualdades sociais. Os estudantes do Cefet/RJ participaram ativamente das apresentações, reagindo às rimas e repetindo o slogan: “O conhecimento é poder para quem não se submete – Slam Cefet”.

A professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Cefet/RJ e coordenadora do NEABI da Unidade Maracanã, Jucilene Nogueira, destacou o trabalho coletivo para a realização do evento e a importância de iniciativas como essa no ambiente escolar. “O evento só foi possível porque temos, no NEABI da Unidade Maracanã, um grupo de estudantes e servidores que trabalharam para que cada etapa da atividade acontecesse. Entendemos que encontros como esses apresentam aos estudantes realidades e linguagens múltiplas, ampliando suas bagagens culturais e contribuindo para uma formação antirracista e, consequentemente, mais crítica”, afirmou.


Poesia falada apresentada por Danielle Silva (Dani), estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Pedro II – Campus São Cristóvão

Entre os participantes, estava Danielle Silva, conhecida como Dani, estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Pedro II – Campus São Cristóvão. Apaixonada por poesia desde cedo, ela contou que conheceu o slam através de uma professora durante o primeiro ano do ensino médio e, desde então, passou a ocupar espaços de fala e performance. “Sempre gostei muito de escrever, mas o slam me deu espaço para recitar e me expressar. Na escola, os temas geralmente são mais ligados ao universo estudantil, enquanto na rua os assuntos são mais abertos e o tempo é maior. Mesmo assim, as experiências se parecem muito. É legal começar na escola e depois levar isso para a rua”, explicou a jovem, que participa da cena há três anos.


Monrá, destaque na cena nacional e estadual de slam

Monrá, de 33 anos, também compartilhou sua trajetória no slam. Psicólogo formado pela PUC-Rio e destaque na cena nacional, ele contou que venceu sua primeira competição em 2018 e, desde 2021, passou a atuar de forma mais intensa no movimento. “Hoje tenho dois prêmios estaduais e um nacional, além de dois livros publicados. O slam me deu voz, e voltar às escolas para mostrar aos estudantes que eles também têm voz é um dos maiores presentes. Quando eu era aluno, eu não tinha esse espaço. Então poder retornar agora através da poesia e do hip-hop é muito significativo”, afirmou o artista, que também atua como oficineiro no projeto Rio Memória, do Museu de Arte Moderna (MAM).


O poeta PK enfrentando seus concorrentes de batalha através da rima

Já Marcos Marinho, conhecido artisticamente como PK, estudante de Psicologia e morador de Vigário Geral, contou que começou recentemente no slam, apesar de já participar de saraus e atividades literárias. “Participar do evento no Cefet/RJ foi uma sensação maravilhosa. Eu gosto muito de me apresentar, mas também de conhecer pessoas novas e ver a galera brilhando nas rimas. Hoje também organizo atividades de slam com crianças e adolescentes no meu bairro, e isso tem sido muito importante para mim”, ressaltou.

O slam tem se consolidado como uma importante forma de expressão artística e reflexão social, aproximando os jovens da literatura, da oralidade e de debates contemporâneos. Ao final da batalha, os vencedores foram anunciados: Monrá conquistou o primeiro lugar, seguido por PK em segundo e Dani em terceiro.

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