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Com pesquisa em meio interestelar, professor do Cefet/RJ é selecionado em programa de apoio à ciência

Publicado: Terça, 09 de Junho de 2020, 12h08 | Última atualização em Terça, 09 de Junho de 2020, 12h27 | Acessos: 1416

 

Fotografia de região do meio interestelar. Canto superior esq.: interior da câmara em que são feitos os experimentos; canto inferior dir.: dois gráficos que mostram a evolução química desses ambientes.

 

O projeto de pesquisa do professor Alexandre Bergantini de Souza, do departamento de Engenharia Eletrônica do Cefet/RJ, é um dos 23 selecionados na 3ª chamada pública de apoio à ciência do Instituto Serrapilheira, conforme resultado anunciado no dia 29 de maio. O projeto se dedica a estudar quais são e como são sintetizadas as moléculas orgânicas complexas encontradas no meio interestelar. A pesquisa será desenvolvida no Laboratório de Física Experimental e Aplicada (LaFEA), coordenado pela professora Ana Lucia Barros, no campus Maracanã.

O objetivo principal do projeto é tentar compreender como são produzidas as moléculas que formam a base da química que é encontrada nos seres vivos. “É fato que grande parte das substâncias químicas que existiam no planeta Terra no momento do surgimento da vida vieram do espaço e essas moléculas foram sintetizadas seguindo os mesmos mecanismos físico-químicos do meio interestelar. Por isso, a minha pesquisa também ajuda a compreender quais são as condições mínimas para a sintetização de moléculas que podem fazer parte dos organismos vivos (como os conhecemos)”, explica o professor.

Cada projeto selecionado na chamada foi contemplado com um aporte de até R$ 100 mil. Segundo Bergantini, esse tipo de financiamento permite, principalmente, realizar a compra de equipamentos fundamentais à pesquisa, como câmaras experimentais, espectrômetros, computadores, instrumentos de medição, reagentes, entre outros, que serão incorporados permanentemente aos laboratórios do Cefet/RJ, podendo atender a diversas gerações de estudantes.

Os cientistas selecionados pela chamada terão acesso a treinamentos, eventos de integração e iniciativas de colaboração. Ao final de um ano, eles serão reavaliados e três deles serão escolhidos para receber o apoio de R$1 milhão por três anos, sendo R$ 300 mil de bônus, destinados à integração e à formação de pessoas de grupos subrepresentados na ciência, como mulheres, pessoas com deficiência, ou pessoas negras e de outras etnias.

Diante do momento atual, de enfrentamento à pandemia de COVID-19, o professor destacou a importância da continuidade dos investimentos em pesquisa como forma de impedir que a ciência perca força no país. “A construção do conhecimento científico é um processo longo, difícil e trabalhoso, que só pode obter êxito se for estimulado constantemente. A falta de investimentos reduz as chances de um cientista obter resultados publicáveis e angariar verbas de pesquisa, e assim a ciência vai definhando aos poucos.”

 

Trajetória e fundamentos da pesquisa

 

Além de atuar no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Instrumentação e Óptica Aplicada (PPGIO) do Cefet/RJ, Alexandre Bergantini é, atualmente, bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. A pesquisa selecionada no edital é a continuação do projeto desenvolvido ao longo de três anos durante o pós-doutorado do professor, realizado na University of Hawaii at Manoa, Estados Unidos, onde ele foi bolsista e trabalhou em projetos da NASA.

Objeto principal da pesquisa de Bergantini, o meio interestelar é o espaço entre as estrelas da galáxia, quase que absolutamente vazio, contendo apenas uma baixa densidade de gases, a radiação emitida pelas estrelas e grãos de poeira. A pesquisa é focada na simulação desses grãos, que estão cobertos por gelo feito de água, monóxido de carbono, metano, amônia, entre outras espécies químicas mais complexas e raras.

Segundo o professor, cerca de 200 espécies químicas diferentes já foram detectadas no meio interestelar por meio de telescópios, radiotelescópios, e sondas espaciais. “A importância desse tipo de estudo reside no fato de que as moléculas encontradas no espaço sideral fornecem pistas sobre o estágio evolutivo de certas regiões da Via Láctea. Essas são informações que podem ser comparadas com dados e observações feitas em nosso próprio sistema solar, e que levariam à melhor compreensão de como ele foi formado”, explica.

 

 

 

 

 

 

 

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